Dólares se moveram entre Singapura e Nova York num sábado e chegaram em minutos. Esse é o indício do dia inteiro: as esperas e as exigências que todo mundo havia aceitado como o custo de movimentar dinheiro estão sendo eliminadas uma de cada vez, e as instituições que fazem isso já pararam de chamar de piloto.
- DBS e Citi liquidaram um pagamento em dólar de fim de semana entre dois fusos horários no Digital Ledger da Swift.
- O aplicativo de pagamento mais usado da Suíça entrou no teste do CHFD, que agora conta com nove empresas testando.
- O Itaú lista 15 ativos cripto e o Nubank, 28, enquanto os bancos brasileiros não detêm nenhum deles.
- Uma proposta em rascunho para o Ethereum permitiria que uma transação pagasse sua própria taxa em qualquer token, ou deixasse outra pessoa pagar por ela.
Cada uma dessas mudanças elimina algo que o leitor antes precisava aguentar. O que nenhuma delas resolve é de quem é o nome sobre o ativo quando o movimento para.
Dois bancos movimentam dólares num sábado
Fonte: The Block
DBS e Citi afirmam ter concluído o primeiro pagamento transfronteiriço em dólar de fim de semana entre Singapura e os Estados Unidos usando depósitos tokenizados. A transferência foi feita no Digital Ledger da Swift em 5 de setembro e foi liquidada em minutos, contra os dois dias úteis que um pagamento transfronteiriço convencional pode levar.
O objetivo do teste era o momento em que ocorreu, não o valor, que não foi divulgado. Um pagamento iniciado num sábado normalmente fica parado até o próximo dia útil nos dois países, então os bancos estão mirando multinacionais de e-commerce e serviços digitais que operam durante o fim de semana.
O DBS é o único membro com sede na Ásia do grupo de design de doze bancos do livro-razão digital da Swift. Rachel Chew, diretora de operações do Grupo DBS, descreveu a transferência como uma demonstração de “como o dinheiro tokenizado está passando da experimentação para a adoção no mundo real”. O Citi, separadamente, faz parte de uma rede de depósitos tokenizados no The Clearing House, prevista para o primeiro semestre de 2027.
Análise da Zypto: A liquidação em fim de semana é um marco para os depósitos tokenizados e uma tarde qualquer para quem detém stablecoins. O rumo é o que importa aqui: o cronograma em que o dinheiro se movimenta está deixando de ser do calendário e passando a ser do seu dono.
Aplicativo de pagamento da Suíça entra no teste da stablecoin do franco
Fonte: CoinTelegraph
Nove empresas suíças iniciaram testes em sandbox do CHFD, uma stablecoin atrelada ao franco suíço, com a operadora de mercado financeiro SIX e o aplicativo de pagamento TWINT entrando como novos participantes. O UBS e cinco bancos deram início à iniciativa em abril.
O teste saiu da fase de projeto e entrou na de testes propriamente ditos, e as perguntas feitas agora são comerciais, não técnicas. Os participantes estão avaliando se pagamentos programáveis podem reduzir fraudes em marketplaces on-line, dar às pessoas acesso mais justo a ingressos de eventos e tornar os pagamentos públicos mais eficientes.
A chegada do TWINT é o que muda o formato de tudo isso. É o aplicativo que uma grande parcela dos adultos suíços já usa para pagar, o que significa que um token em francos poderia chegar aos consumidores por algo que já está no celular deles, em vez de exigir que instalem algo novo.
Análise da Zypto: A maioria dos tokens atrelados a moedas fracassa na distribuição, não no design. Colocar o CHFD dentro do aplicativo que as pessoas já usam para pagar é o que transforma um sandbox em um checkout, e chegar até os comerciantes onde eles já vendem é o mesmo trabalho que o Zypto Pay faz on-line e presencialmente, com 0% de taxas de processamento para o comerciante.
Bancos brasileiros listam os tokens e não detêm nenhum deles
Fonte: crypto.news
Os maiores bancos do Brasil continuam ampliando o que os clientes podem comprar, e nenhum deles carrega qualquer parte disso em seus próprios balanços. O Itaú agora oferece 15 ativos cripto, o Nubank lista 28 entre mais de sete milhões de usuários, e o serviço de Bitcoin e Ether do Banco do Brasil já movimentou mais de R$ 11 milhões, cerca de US$ 2,1 milhões, desde janeiro. Bradesco e Santander também expandiram suas ofertas.
Registros do Banco Central de março de 2026 mostram que nenhum ativo virtual é detido pelos próprios bancos. A prateleira continua crescendo enquanto as instituições que vendem a partir dela não assumem posição.
A regulação foi o que destravou isso. O Brasil aprovou seu Marco Legal dos Ativos Virtuais em 2022, o Banco Central publicou as Resoluções 519, 520 e 521 em novembro de 2025, e cerca de 120 empresas cripto enfrentam um prazo de licenciamento até 30 de outubro de 2026, com regras de capital e risco chegando em janeiro de 2027. Os brasileiros movimentaram R$ 505,5 bilhões em cripto em 2025, cerca de US$ 98,7 bilhões, um aumento de 22% em relação a 2024 e mais de cinco vezes o valor de 2020.
Análise da Zypto: Um banco que lista 28 tokens está vendendo acesso, e seus próprios registros dizem que ele não está assumindo posição junto com você. Essa diferença importa no momento em que você quer movimentar algo: um saldo na plataforma de um banco é o banco quem libera, enquanto uma moeda sob chaves no seu próprio dispositivo, no Zypto App, já é sua para movimentar. Baixe o Zypto App.
Uma transação no Ethereum poderia pagar sua própria taxa em qualquer token
Fonte: Decrypt
Uma proposta em rascunho para o Ethereum permitiria que as pessoas paguem taxas de transação sem precisar ter ETH nenhum. A EIP-8141, conhecida como Frames, está em rascunho desde janeiro e é coautorada por Matt Garnett, que defende que ela “deveria ser o último tipo de transação de que precisamos para contas”.
O Frames divide uma transação em até 64 chamadas de contrato sequenciais: uma para validar, uma para aprovar o pagamento, e o restante para executar. Separar quem assina de quem paga é o que faz o trabalho: as taxas podem ser pagas em um token ERC-20, ou cobertas integralmente por um patrocinador, e várias ações podem ser agrupadas em lote.
A parte que importa para as carteiras comuns é que nada disso exige migrar antes para uma smart account. Também é uma base para assinaturas pós-quânticas, e já existe uma testnet rodando no cliente ethrex. Nenhuma atualização de rede foi agendada para isso ainda.
Análise da Zypto: Ter que possuir um segundo ativo antes de poder movimentar o primeiro é onde muita gente desiste logo na primeira transação. Resolver isso dentro do próprio protocolo vale mais do que qualquer explicação, e vem do mesmo instinto de manter mais de 24.000 ativos trocáveis dentro de uma única carteira multichain, em vez de mandar as pessoas para pontes externas.
Principais Conclusões
- Os atrasos de fim de semana e de fuso horário estão sendo eliminados da liquidação pelas mesmas instituições que os criaram, o que diz mais do que qualquer transferência isolada.
- A distribuição é o que decide se um token atrelado a uma moeda é de fato gasto. Os que chegam dentro de um aplicativo que as pessoas já abrem largam bem na frente.
- Acesso a um ativo e propriedade sobre ele são produtos diferentes, e os registros do banco central do Brasil oferecem um retrato incomumente claro dessa diferença.
- A clareza regulatória está se transformando rapidamente em espaço de prateleira. As regras do Brasil chegaram em novembro de 2025, e seus bancos já vendiam 28 tokens até este mês de setembro.
- O progresso está começando a aparecer como exigências que somem discretamente, e pagar uma taxa de rede em qualquer token que você já tenha parece ser a próxima a desaparecer.
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